30 de setembro de 2015

Vida: sonhos e ilusões


A verdade é um peso de duas medidas. Dependendo do contexto em que ela é inserida, amansa ou agita nosso oceano de pensamentos. Nestes, se escondem nossos sonhos, dos menores aos mais importantes. Da mesma forma que a calmaria do oceano pode se desfazer em questão de segundos, assim funciona nossa mente. Ainda que andemos trajados de princípios e valores, estamos constantemente expostos, cercados de julgamentos sob olhares alheios, como se estivéssemos totalmente desnudos, repousando nas falésias da planície costeira da enseada, banhadas por respingos de ilusões que saltam de nosso pensamento. 

Nossas metas são ilhas que podemos vislumbrar na imensidão do oceano. À luz do dia, a lua não podemos enxergar, ressalvo raras exceções em que ela aparece nos céus claros. Com a mesma baixa frequência, temos uma súbita visão que reflete quem somos e passamos a descobrir quem são verdadeiramente as pessoas que contamos nossos planos. Sonhos são doces feito romã, por isso costumam atrair abelhas em seu entorno. Basta declararmos em voz alta alguns deles, para que fiquemos cercados de opiniões infundadas e pitacos contrários às nossas ideias. 

Da doçura de nossos sonhos com sabor de romã, espalhamos sementes de esperança, de onde nascem piranhas que abocanham nossas energias. Metaforicamente falando, as piranhas são as pessoas que não sabem vibrar com a felicidade do outro e fomentam a inveja, fruto da incapacidade. Os tigres, por sua vez, representam nossa força interior. Quando permitimos sermos afetados pelos sentimentos negativos, nossos tigres se voltam contra nós. Com a mesma fúria, eles se transformam em tigres raivosos, dispostos a dilacerar nossos sonhos em pedaços com as suas garras afiadas. Assim, nossa força para seguir em frente e lutar pelo que acreditamos é afetada, virando frustração e insegurança. A partir de então, passamos a nos sabotar, como se estivéssemos na mira da espingarda desses tigres infames. 

Nossos sonhos são como elefantes flutuantes com pernas de aranha carregando um obelisco, tamanho o grau de importância que colocamos neles e devido a fragilidade com que andam sobre as indecisões que habitam nossos pensamentos. Os questionamentos que fazemos com relação a nós mesmos têm grande impacto na construção de um sonho. Ainda que todos os nossos sonhos reunidos tenham o peso de um elefante, eles continuam acima de tudo, da piranha figurada de inveja, do tigre feroz disfarçado de pessimismo e da espingarda representando os maus pensamentos. O que nos faz acreditar que os nossos sonhos são assim, sublimes e inalcançáveis. 

Do penhasco de realizações, nascem árvores que simbolizam a fortuna, onde resplandece a luz da vitória alcançada. Do mesmo modo que as pedras demoram tempo para se solidificarem, nossos sonhos demoram a acontecer. Mas ambos podem desmoronar rapidamente. Na sombra da romã, se encontra nosso coração, guiado pela aliança que temos com os nossos sonhos. Essa é a inconstância de algo que chamamos de "vida", sem ao menos sabermos a definição exata dessa palavra. Pensando bem, talvez tudo não passe de um sonho, mera ilusão.

SAIBA MAIS


A obra Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes de acordar, do pintor surrealista espanhol, Salvador Dalí, tem um dos nomes mais longos já criados e hoje fica exposta no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri, capital da Espanha. Datada de 1944, feito com tinta a óleo e medindo 51 x 41 cm, a pintura foi inspirada num sonho de Gala, musa inspiradora e esposa do artista catalão. 

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